sexta-feira, 22 de julho de 2011

Revolucionários de mesa de bar

Sentam na mesa do bar no começo da tarde.
Em algum espaço nobre da cidade.
Estudantes de classe média alta
Com suas camisetas do Che Guevara
E boinas vermelhas de marca.

Bebem cervejas caras.
E discutem possíveis mudanças
Na estrutura político-econômica-social do mundo.
Propostas subversivas e renovadoras
Mas nenhuma ação concreta se realiza.

Quanto mais bebida mais eloquente a conversa.
Mais teorias, porém tudo balela.
Discursos dignos de um revolucionário.
Manifestações, passeatas, greves.
Mas nada sai do campo das ideias.

Tarde da noite, a cabeça cheia de álcool.
As palavras tortas, o andar desequilibrado.
Hora de pagar a conta e ir pra casa.
Dirigindo seu carro importado.
Comprado com o dinheiro de sua rica mesada.

Acabou a conversa, os combatentes se retiram.
Assim termina a guerrilha de buteco.
A revolução é adiada.
Para a tarde do dia seguinte.
Entre mais cervejas caras...

3 comentários:

  1. Nossa, mto bom este poema!!!
    É mais fácil e cômodo ter o discurso e acreditar que só isso basta. O difícil é ter atitudes coerentes e condizentes com tais falas. Falo um pouco por mim tb, não sou uma guerrilheira de boteco, mas acho que não tomo tantas atitudes pra mudar tudo aquilo que habita meu ideário. Por isso que diminui um pouco os discursos que fazia, pois, no fim, só estava sendo hipócrita. E a hipocrisia é uma coisa que me incomoda muito e, quanto mais incomoda, mais parece que ela me enlaça! E nem preciso usar camisetas do Che Guevara ou boinas vermelhas pra isso, hehe. Mas tento fazer algo com a minha arte, com o teatro, não que seja muito, mas é como acho que posso fazer a diferença (clichê isso, mas ok, hehe).

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  2. "Quanto mais bebida mais eloquente a conversa"
    Gostei bastante, apesar de não beber um pingo de alcool. ;)

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  3. Hipocrisia, sempre ela, na farta busca de vender mais camisetas, mais carros, mais bebidas...

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